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PASTORAL DE ESPERANÇA

Educar é Ressuscitar, o Paradigma do Fogo, Evangelizar Educando – Educar Evangelizando e Fazer da escola uma verdadeira casa, são quatro das ideias fortes da riqueza intelectual, espiritual e pedagógica, verdadeiramente inspiradora, que constituiu o Congresso Internacional de Pastoral Escolar e Universitária: TRAÇAR NOVOS MAPAS DE ESPERANÇA, que decorreu em Roma a 22 e 23 de outubro.

Das palavras de D. José Tolentino Mendonça ficou particularmente viva a ideia de que a escola é um lugar onde se aprende a beleza. Não apenas a beleza das artes, da ciência ou do conhecimento, mas uma beleza mais profunda, capaz de abrir horizontes e de conduzir cada pessoa ao encontro do transcendente. A escola, quando fiel à sua missão educativa, ajuda-nos a olhar para além do imediato e do utilitário, despertando a capacidade de contemplar, de questionar e de procurar sentido para a vida.

Educar significa acreditar permanentemente na possibilidade de renovação e de crescimento de cada pessoa.

Significa gerar vida nova, despertar talentos adormecidos, restaurar a esperança e abrir caminhos onde, por vezes, apenas parecem existir limites ou dificuldades. Em cada encontro, em cada aula, em cada conversa, os educadores são chamados a ser construtores de futuro e semeadores de esperança.

Esta visão desafia-nos a olhar para a nossa missão educativa como muito mais do que uma transmissão de conhecimentos. Na realidade, somos diariamente convidados a criar condições para que os nossos alunos cresçam como pessoas plenas, capazes de sonhar, de servir e de transformar o mundo. É nesta tarefa exigente e bela que a escola se afirma como uma verdadeira comunidade de vida, onde todos aprendemos e todos somos chamados a renascer.

O Professor Máximo Recalcatti convidou-nos a olhar para a escola não apenas como um espaço de disciplina e de cumprimento de regras, mas sobretudo como um lugar de vida. À luz do Evangelho, recordou-nos que "se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus". Esta perspetiva confronta-nos com um aparente paradoxo: passamos grande parte da vida, na família e na escola, a dizer às crianças e aos jovens que devem crescer. Contudo, talvez seja necessário repensar o paradigma da escola entendida como uma escada, orientada apenas para a progressão e para o desempenho, e substituí-lo pelo paradigma do fogo, que ilumina, aquece e transforma.

Uma didática inspirada no fogo pressupõe o encontro e não se esgota na técnica, na eficiência ou no conhecimento meramente científico.

Educar é, antes de tudo, estabelecer relações significativas. O Educador é chamado a ser portador desse fogo: um saber vivo, sustentado pela autoridade que nasce do testemunho. Quando fala daquilo que o toca, do que sente e do que vive, o educador alcança a vida daqueles com quem trabalha e desperta neles novas possibilidades de crescimento.

Nesta visão, o conhecimento não é uma simples acumulação de informações; está intimamente ligado à verdade e alimenta o desejo de transformar o outro e de o ajudar a encontrar sentido para a sua existência. É precisamente nesta dimensão profundamente humana, relacional e transformadora que a Inteligência Artificial encontra os seus limites. Embora possa disponibilizar informação, apoiar processos e ampliar o acesso ao conhecimento, dificilmente poderá transmitir este fogo interior que nasce da experiência, do testemunho e do encontro autêntico entre pessoas.

A escola como um verdadeiro laboratório de discernimento, onde se educa evangelizando e se evangeliza educando.

A Irmã Martha Seide apresentou-nos a uma visão em que a educação não pode limitar-se à transmissão de conhecimentos nem submeter-se a uma lógica meramente economicista. Pelo contrário, é chamada a formar pessoas na sua integralidade, promovendo o desenvolvimento intelectual, humano, ético e espiritual.

Alertou-nos para o risco de uma escola mercantilista e sem alma, excessivamente condicionada pelos critérios da eficiência e da produtividade, onde o educando é reduzido a números, resultados ou algoritmos. Neste contexto, corremos o perigo de formar gerações altamente competentes do ponto de vista científico e técnico, mas frágeis na construção do sentido da vida, nas relações humanas e na capacidade de sonhar e de se comprometer com o bem comum.

Perante este desafio, a Irmã Martha Seide lançou-nos um conjunto de interpelações fundamentais, convidando-nos a repensar a missão educativa como um espaço de humanização, de busca da verdade e de abertura à transcendência, onde cada aluno é reconhecido na sua dignidade única e acompanhado no seu crescimento integral.

Antropologia integral - Coloca a pessoa no centro de todo o processo educativo. Educar deixa, assim, de ser apenas uma função de transmissão de conhecimentos para assumir uma dimensão mais profunda, orientada para a formação da virtude. Nesta perspetiva, os educadores são chamados a ser presença e promessa, conduzindo os alunos ao desejo de aprender, à procura de sentido e à construção do seu projeto de vida. As escolas devem afirmar-se como lugares onde a dúvida é acolhida como oportunidade de crescimento, onde a inteligência crítica caminha lado a lado com o coração e onde também as formas de avaliar refletem esta visão integral da pessoa.

Diaconia da cultura - Faz o ser humano mais humano. Trata-se de uma cultura que privilegia o ser sobre o ter, promovendo o desenvolvimento integral da pessoa e colocando os conhecimentos, as competências e os talentos ao serviço do bem comum. Nesta diaconia da cultura, somos convidados a passar de uma lógica de “cátedras”, onde o saber parece pertença de alguns, para verdadeiras comunidades de aprendizagem, onde todos se sentam à mesma mesa, partilham conhecimento, aprendem uns com os outros e contribuem, através do diálogo, para a construção de um mundo mais humano e fraterno. Neste sentido de serviço a escola é um laboratório que leva à escola do que é certo e não apenas do que é conveniente.

O digital humano - Reconhece o extraordinário potencial da tecnologia, que somos chamados a humanizar e a garantir que permanece ao serviço da pessoa. Não se trata de olhar para os avanços tecnológicos como uma ameaça, mas de educar para uma utilização ética, crítica e responsável das ferramentas digitais. A tecnologia deve favorecer a proximidade, fortalecer as relações humanas e contribuir para um desenvolvimento verdadeiramente integral, ajudando-nos a encontrar o outro e a construir comunidades mais ligadas e solidárias.

Somos convidados a assumir uma postura educativa que integra conhecimento, humanidade, relação e transcendência, colocando sempre a pessoa no centro e entendendo a educação como um serviço que transforma vidas e contribui para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e plena de sentido.

O Papa Leão XIV apresentou a escola como um espaço de acolhimento, onde se cuida da interioridade de cada pessoa e onde todos se sentem reconhecidos e valorizados na sua dignidade mais profunda. Este olhar atento e próximo tem a capacidade de transformar vidas, conduzindo-as à plenitude e à abundância a que todos são chamados.

Fazer da escola uma verdadeira casa: um lugar familiar onde cada um é esperado, acolhido e conhecido pelo seu nome.

Só num ambiente assim se torna possível empreender a busca autêntica da verdade, despertar para o sentido da existência e conduzir à experiência da beleza do encontro com Cristo. É também neste contexto que ganha especial relevância a fecunda sinergia entre fé e razão, entre o saber iluminado pela fé e os diversos campos do conhecimento humano. A escola católica afirma-se, deste modo, como um espaço privilegiado de crescimento integral, onde a formação académica se articula harmoniosamente com a formação humana, espiritual e ética de cada aluno. O Santo Padre deixou aos educadores alguns desafios:

“Ajudai os jovens que encontrardes a ser protagonistas de uma nova maneira de habitar o mundo, construtores de fraternidade e de uma sociedade mais justa. A coragem nasce de um pacto de confiança: da experiência de alguém que acredita em ti antes que tu acredites em ti próprio.”

“Educar o coração para a compaixão, a gratidão, a capacidade de se deixar tocar pela dor do próximo; educá-lo para o louvor e o desejo de Deus. O serviço aos pobres, o voluntariado, o cuidado pela criação não são atividades acessórias, mas lugares onde o coração aprende a dilatar-se.”

“Falsos mestres e mensagens enganosas prometem responder rapidamente às perguntas dos jovens. Vós, pelo contrário, escolhestes fazer algo mais grandioso: acompanhá-los ao longo do caminho, até que descubram os dons que Deus já depositou neles.”

Paulo Ribeiro Campino
Diretor Pedagógico do Colégio Sagrado Coração de Maria - Lisboa