Não se pode pensar o futuro da europa e da igreja sem prestar atenção aos mais idosos, sob pena de nem os governos nem a igreja cumprirem com fidelidade a sua missão.
O Papa Francisco (grande impulsionador da pastoral dos idosos) chamava aos idosos “o novo povo” que tende a crescer e por isso nos recomendava a necessidade de conhecermos e amarmos os nossos idosos.
É esta grande franja da sociedade que nos leva a uma breve reflexão, e no qual sentimos tantas dificuldades, não só internas mas também externas à Igreja: o crescente secularismo é sem dúvida uma das grandes barreiras, a crise de humanidade, e por isso mesmo a crise nas famílias, o individualismo crescente que é impeditivo de criar laços, o que conduz, uma solidão cada vez mais agressiva e ao abandono dos idosos que é verdadeiramente desumanizante.
É urgente criarmos “uma amizade social” para combatermos a indiferença que hoje paira nas nossas sociedades, “amizade social” não apenas em determinadas faixas etárias, mas entre todos. O mundo precisa de mudar de rumo, para nos conduzir a um universo mais solidário, e acolhedor a todos, onde as novas gerações são capazes de aprender com os idosos, e os idosos aprendam com as novas gerações.
É perante este retrato que se torna urgente a construção de uma pastoral dos idosos e com os idosos.
Não podemos ficar presos apenas a programas assistencialistas, mas criação de programas existencialistas.
Como cristãos somos chamados ao trabalho pastoral, a dar sentido a uma época da vida, que é, em muitos aspetos, nova, e oferecer acompanhamento a uma geração que é preciso ser levada a sério. É necessário também ajudar os idosos a compreender melhor qual a sua vocação específica na vida da Igreja.
Por outro lado devemos estar conscientes de que qualquer esfera pastoral não pode ser pensada isolada das outras, e que a pastoral dos idosos tem ligações evidentes com a pastoral social, a pastoral juvenil, a pastoral familiar, a pastoral dos doentes e dos leigos, a pastoral das escolas mas a absoluta consciência de que é necessário dedicar uma atenção autónoma ao mundo da terceira idade.
Neste sentido é importante que se crie nas comunidades cristãs um serviço/um departamento da pastoral dos idosos com a mesma importância que damos aos outros sectores da pastoral.
A pastoral dos idosos deve ajudar cada um a sentir-se grato à vida e a Deus, idosos que saibam infundir coragem e esperança nos jovens, testemunhas de fé que saibam perdoar o mal para mudar o futuro para o bem das novas gerações. Mas tudo isto depende de cada um de nós: temos de cuidar do coração dos idosos, cuidar da sua dignidade batismal, da sua dignidade pessoal, das suas necessidades materiais, afectivas e espirituais.
É necessário trazer os idosos à comunidade como lugar de encontro e partilha, mas também como lugar de evangelização, de celebração e de esperança.
Mas também é necessário levar a comunidade aos idosos, entrar nas suas casas, levar alegria, esperança, capacidade de escutar, de ajudar. Uma comunidade desperta para viver e conviver com os seus idosos é uma comunidade que se fortalece e enriquece, que se evangeliza e se torna evangelizadora. No dizer do Papa Leão, por ocasião do II Congresso Internacional sobre a Pastoral dos Idosos, “Esta tarefa missionária interpela-nos a todos nós, as nossas paróquias e em particular os jovens, que podem tornar-se testemunhas de proximidade e escuta, escuta recíproca com quantos têm uma idade mais avançada”.
É essencial por isso, que trabalhemos juntos para levar os jovens e os idosos ao diálogo, não apenas em determinados momentos, mas na vida quotidiana, com um trabalho pastoral dedicado ao amor e à fraternidade entre as gerações. Temos de atuar para transformar a cultura da indiferença e do descarte numa cultura do encontro, do diálogo e da escuta.
Fica-nos a questão: que somos chamados a fazer?
Em torno da pastoral dos idosos deverá ter como princípios a construção de uma narrativa positiva sobre o idoso, não como alguém que é descartável, mas como alguém que é importante na nossa vida, que com a sua sabedoria e história faz-nos olhar a vida com esperança.
Um outro aspeto importante, é sermos capazes de descobrir a beleza da fragilidade. Este aspeto leva-nos a olhar o idoso como expressão de profunda humanidade e sensibilidade e não ficarmos presos à sua vulnerabilidade. Olhar a beleza da fragilidade pode ser uma verdadeira bênção, dizia o Papa Francisco.
Por último a beleza de estarmos juntos, que nos conduz a uma verdadeira fraternidade, a um mundo que se humaniza, onde todos têm lugar, porque todos têm direito a ser amados e a amar.
Pe. Francisco Ruivo





















